Textos Augusto Cassiano

1. A saúde só é possível quando o amor flui. Mas para que o amor possa fluir, é preciso que haja ordem no sistema. E a ordem no sistema é estar reconciliado com todos do seu sistema familiar, principalmente com o pai e a mãe.

 

2. O impulso do Eu interior é uma força movedora que, realimentada pelo entusiasmo, conduz-nos a ir em direção à vida, à realização, tomando a força que vem do nosso pai; e ao êxito e à prosperidade, que provêm do ato de tomar a nossa mãe.

 

3. Somos o resultado da união de nosso pai e nossa mãe, e essa é a nossa origem. Cada um deles veio com todos os seus antepassados, e é com a força de superação de todos eles que podemos nos fortalecer para seguir adiante, incluindo, dando um lugar a cada um e nos equilibrando.

 

4. Todos no sistema da família têm o direito de pertencer. Pertencer é o nosso desejo mais profundo. A "alma" da família não permite a exclusão de ninguém e busca, permanentemente, reequilibrar o sistema.

    Quem chegou primeiro tem precedência e, portanto, é maior do que quem veio depois. Os pais são grandes e os filhos são pequenos; a inversão dessa hierarquia cria emaranhados no sistema, gerando desequilíbrios.

    O equilíbrio entre o dar e o tomar nos casais: se alguém recebe algo, deve dar um pouco mais. Caso contrário, aquele que recebe muito se sente devedor e, se não pode retribuir, não suporta, trai e se afasta.

     Essas são dinâmicas observadas nas relações humanas, que podem ser reequilibradas pela visão sistêmica fenomenológica das Constelações Familiares.

 

5. Segundo as Ordens Sistêmicas, ninguém e nada deve ser excluído, porque o que eu excluo me aprisiona. O que eu incluo me liberta; tudo e todos têm uma razão de ser e estão a serviço do meu aprendizado. Na medida em que compreendo, sinto-me mais leve e posso seguir adiante. 

 

6. “Tudo aquilo de que me lamento ou queixo, quero excluir”. Entramos em harmonia com os movimentos de nossa alma quando dizemos sim, tomando a vida com tudo que ela nos traz sem lamentos, sem queixas e sem exclusões, pois existe uma força superior que a tudo comanda e dizer sim e se render a esta força é seguir o curso natural do rio da vida.

 

7. A saúde só é possível quando o amor flui. Mas para que o amor possa fluir, é preciso que haja ordem no sistema. E a ordem no sistema é estar reconciliado com todos do seu sistema familiar, essencialmente com o pai e a mãe. Com eles, vêm a cura da alma, a paz e a reconciliação. 

 

8. Sublime é o amor de mãe, o carinho, o afago, o zelo e o cuidado. O amor de mãe fica profundamente gravado na alma do filho; é uma semente plantada no solo fértil do sentimento do filho, que floresce, trazendo paz e harmonia ao sistema.

 

9. A ausência da paz é o conflito. O conflito se instala pela quebra da hierarquia, onde um quer se sobrepor ao outro e tomar o seu lugar. Aceitar o outro assim como é, sem fazer questão de ter razão, é um caminho de pacificação. A mudança que eu quero no meu semelhante e a mudança que eu quero no mundo começam em mim. 

 

10. Pela força do amor do vínculo, um descendente se coloca a serviço do sistema, representando um antepassado, um excluído, mesmo que nem saiba da sua existência, até que este membro possa ser visto e reincluído. Como isso é possível? Pelos movimentos sistêmicos ocultos, identificáveis no campo das Constelações Familiares, as quais podem mostrar um caminho de solução, dissolvendo o emaranhamento e recolocando o sistema em ordem.

11. “Quem está em harmonia não luta”. Quando Bert Hellinger afirma isso, ele não quer dizer que não devemos lutar para vencer as dificuldades e superar os obstáculos na vida. E, sim, que quando estamos em harmonia com a vida e com as pessoas do nosso sistema, não estamos em uma postura reativa, de não aceitação, maldizendo o tempo todo, reclamando e se debatendo. Ou seja, estamos tomando a vida como ela se apresenta e em harmonia com ela. Assim é mais fácil uma pessoa entender a si mesma, buscar meios de se superar a cada dia e obter o êxito desejado.

 

12. O sofrimento está, sim, a serviço da vida. E quando o assumimos dizendo “sim”, temos mais condições de compreender a razão dele existir. O sofrimento traz uma mensagem de que algo precisa ser olhado, algo precisa ser compreendido e mudado. Assim essa experiência nos fortalece para seguirmos adiante com mais leveza e mais consciência. O que era sofrimento se transforma em força na nossa caminhada.

 

13. “Quem se alegra com os pais, alegra-se com a vida”. Sim, pois nossos pais representam para nós a vida; a mãe nos traz à vida e o pai nos leva para a vida. Alegrar-se com os pais só é possível quando os tomamos em nosso sentimento, em nosso coração assim como eles foram, assim como eles são em nós, porque eles estão sempre presentes em nós, quer tenhamos consciência disso ou não.

 

14. Só podemos crescer quando reconhecemos o nosso lugar, o nosso tamanho, nossa capacidade e, principalmente, nossas limitações e impotência. É quando tomamos consciência verdadeiramente de onde estamos e do que ainda precisamos para chegar onde queremos, sem ilusão de ser o que ainda não somos, mas agindo a partir do que somos, do que temos e do que podemos.

 

15. Sistemicamente falando, tudo aquilo ou aquele que quero eliminar ou excluir me aprisiona. Por outro lado, quando eu o incluo, essa atitude me liberta. Porque incluindo, aceitando assim como é, posso me acalmar, examinar e tomar o conhecimento que emerge da mudança de postura diante do que é.

 

16. Constelação Sistêmica Familiar é um método terapêutico desenvolvido pelo psicoterapeuta alemão Bert Hellinger. Hellinger foi seminarista católico e estudou filosofia, teologia e pedagogia. Conheceu diversos modelos de terapia, incluindo psicoterapia de grupo, psicanálise, hipnoterapia, terapia primal, análise transacional e programação neurolinguística. Desenvolveu a abordagem das Constelações Familiares com base na concepção das Ordens do Amor ou Leis dos Relacionamentos Humanos. Este é o método com que eu trabalho, utilizando-o essencialmente de acordo com a técnica desenvolvida por Hellinger. Em meu trabalho, não utilizo outras abordagens de terapias de Constelação Sistêmica Familiar.

 

17. “Algumas pessoas acham que são elas que procuram a verdade de suas almas. Contudo, é a Grande Alma que pensa e procura através delas. Como a natureza, ela pode permitir-se muitos erros, porque está sempre e sem esforço substituindo os falsos jogadores por novos. Mas aquele que a deixa pensar, concede, às vezes, um pouco de espaço e, como um rio que carrega o nadador que se deixa levar, ela o carrega também com sua força a novas margens”. Bert Hellinger.

 

18. A reconciliação com todos da nossa família, inclusive com os nossos ancestrais, possibilita-nos ter renovação e transformação pela quebra dos “ciclos nocivos” que surgem dos emaranhamentos provocados pela exclusão. E a reconciliação é possível pela inclusão e o reconhecimento do lugar da cada um no sistema.

 

19. Constelação On-Line é o atendimento feito via internet. É a mesma constelação que é feita de maneira presencial, individual ou em grupo. Nela é possível estabelecer a mesma conexão entre o Constelador e o Cliente. O campo do cliente se apresenta e os seus movimentos também, obtendo-se os mesmos resultados. Os cuidados que se deve ter em relação à constelação on-line são os mesmos da presencial. Deve-se ter cuidado na escolha do profissional com quem você vai constelar.

 

20. “O filho é os pais”: palavra de Bert Hellinger. E o filho é os pais porque é o resultado da união entre o pai e a mãe. Ele é 50% o pai e 50% a mãe; não tem como fugir disso. A vida do filho veio dos pais. A sua história é a continuidade da história de seus pais, e, assim, sucessivamente por toda a sua descendência. Tomar em si e acolher essa realidade é andar pelo caminho da pacificação, da reconciliação em direção à vida e ao êxito.

 

21. “Doenças também são processos de cura. Principalmente para a alma”. Através de uma doença, a pessoa pode, pela compreensão, obter um novo nível de consciência e transformação. Na verdade, a doença é um mensageiro que traz uma mensagem de transformação e mudança, que pode trazer cura para a alma do sistema familiar. A partir do momento em que a pessoa recebe a mensagem a doença já cumpriu sua função e razão de existir.

 

22. Estar inteiro na vida é estar em paz consigo mesmo e com todos do sistema familiar. E essa paz vem de um novo estado de consciência, de que todos são como são e, mesmo que possam parecer errados, não nos cabe julgar ou discriminar. A discriminação nada mais é do que uma forma de exclusão. E é pela inclusão de todos assim como são que podemos encontrar a paz.

 

23. A mãe nos dá a vida e o pai nos leva para a vida. Imagine uma mãe levando um filho de sete anos para passear no parque: ela fica o tempo todo ao lado do filho, cuidando de todos os movimentos da criança. Agora imagine um pai levando a mesma criança para passear no parque: o pai solta a criança, deixa-a brincar livremente e observa de longe. Essa é a dinâmica natural no comportamento de pai e mãe em relação aos filhos. Por isso se diz que o filho precisa da presença do pai para levá-lo para a vida, dando-lhe a oportunidade de encontrar e superar obstáculos, e vencer na vida.

 

24. Bert Hellinger diz que “para a vítima, não existe solução”. E não existe mesmo, porque a vitima não vê o que lhe cabe em uma questão. Ela acha que o problema é sempre do outro, e nessa postura ela não cresce, não evolui. Portanto, em constelação, não é possível trabalhar com uma pessoa que se vitimiza; o trabalho não flui.

 

25. O pai representa na vida do filho, a disciplina, a força de superação, a resistência. Por isso  o filho precisa da presença do pai para levá-lo para a vida, dando-lhe a oportunidade de encontrar e superar o que for necessário, para que possa ser um vencedor.

 

26. Existem pessoas que só querem receber e, assim, logo se tornam devedoras. Ao se sentirem devendo tanto que não podem pagar, afastam-se da pessoa de quem tanto receberam, pois não podem suportar o peso da dívida. Outras só querem dar e não suportam receber, por não quererem se tornar devedoras; então se tornam arrogantes e prepotentes. Tanto uma como a outra pessoa está em desordem. O equilíbrio está na boa relação de troca, onde um dá ao outro o necessário e aquele que recebe dá ao outro um pouco mais, e assim sucessivamente, de maneira crescente, em uma compensação contínua.

 

27. Bert Hellinger diz que “O sucesso tem a cara da mãe”. O nosso nascimento já é um grande êxito de nossa mãe. Em muitas dinâmicas que se apresentam no campo das constelações familiares, identificamos que os filhos que ainda não estão bem resolvidos com a mãe têm grande dificuldade de ter êxito, prosperidade e sucesso na vida. Portanto, o “tomar a mãe” é o primeiro passo para que se dissolva esse tipo de emaranhamento, possibilitando um novo olhar e uma nova postura rumo ao sucesso e a realização do filho.

 

28. Bert Hellinger diz que “O sucesso tem a cara da mãe.” O nosso nascimento já é um grande êxito de nossa mãe. Em muitas dinâmicas que se apresentam no campo nas constelações familiares, identificamos que os filhos que ainda não estão bem resolvidos com a mãe têm grande dificuldade de ter êxito, prosperidade e sucesso na vida. Portanto, o “tomar a mãe” é o primeiro passo para que se dissolva esse tipo de emaranhamento. Isso é essencial e possibilita uma mudança de postura diante da vida, uma nova rota rumo ao sucesso e a realização dos objetivos do filho.

 

29. Essa imagem que se apresenta é a imagem interna, é um ponto de nossa história que precisa ser visto e ressignificado pela mudança de postura diante do que precisa ser reconhecido, reverenciado e incluído.

 

30. A compensação entre o dar e o receber deve ser feita também na dor e, naturalmente, quando alguém faz algo de ruim conosco, sentimos o desejo de dar o troco para equilibrar a relação dentro dessa lei. Isso é necessário, mas não precisa ser na mesma moeda. O importante é que façamos algo para que a pessoa sinta a dor do que fez; isso também gera equilíbrio no sistema.

Os Cinco Círculos do Amor

 

 

Primeiro círculo: Os pais

O primeiro círculo do amor começa com o amor recíproco de nossos pais, como um casal. Foi desse amor que nascemos. Eles nos geraram e nos acolheram como seus filhos. Eles nos nutriram, abrigaram, nos protegeram por muitos anos. Tomar deles amorosamente esse amor é o primeiro círculo do amor. Ele é a condição para todas as outras formas de amor. Como poderá alguém, mais tarde, amar outras pessoas, se não experimentou esse amor? Faz parte desse amor que amemos também os antepassados de nossos pais. Eles também foram crianças e receberam de seus pais e avós o que depois transmitiram a nós. Também eles, através de seus pais e avós, vincularam-se a um destino especial, assim como nós nos vinculamos ao seu destino. A esse destino nós também assentimos com amor. Então, olhamos para nossos pais e nossos antepassados e dizemos amorosamente a eles: “Obrigado”. Este é o primeiro círculo do amor.

 

Meditação sobre o primeiro círculo do amor

Fecho os olhos e volto à minha infância. Contemplo o início de minha vida. O início foi o amor de meus pais como homem e mulher. Eles foram atraídos um pelo outro por um forte instinto, por algo poderoso que atuou por trás deles. Contemplo essa força que os uniu e me curvo diante dela. Contemplo como meus pais se uniram e como resultei de sua união, com gratidão e amor.

Depois meus pais me aguardaram, com esperança e também com receio, esperando que tudo corresse bem. Minha mãe me deu à luz, com dores. Meus pais se contemplaram e se admiraram: “É essa a nossa criança?" Então disseram: “Sim, você é a nossa criança, e nós somos seus pais”. Eles me deram um nome, deram-me seu sobrenome e disseram por toda parte: “Este é o nosso filho". Desde então pertenço a essa família. Eu tomo minha vida como membro dessa família.

A despeito de todas as dificuldades que ocorreram, sobretudo em minha infância, a vida em si não sofreu dano. Essas dificuldades podem exigir muito de mim. Quando, porém, contemplo tudo o que pesou - por exemplo, ter sido entregue a outras pessoas ou não ter conhecido o meu pai - eu digo sim a isso, da maneira como aconteceu, e com isso recebo uma força especial. Então encaro meus pais e digo: “O essencial eu recebi de vocês. Eu reconheço tudo o mais que vocês fizeram, seja o que for, mesmo que tenha envolvido alguma culpa. Eu reconheço que isso também pertence à minha vida e concordo com isso”.

Sinto, em meu interior, que sou os meus pais, que os conheço por dentro. Posso me imaginar, por exemplo: onde em mim eu sinto a minha, mãe? Onde em mim eu sinto o meu pai? Dos dois, quem está mais em evidência e quem está mais escondido? Permito que ambos fiquem em evidência, encontrem-se e se juntem em mim, como meu pai e minha mãe. Em mim eles permanecerão sempre juntos. Posso alegrar-me com isso. Eu os tenho realmente em mim.

Seja o que for que tenha acontecido em minha infância, digo sim a isso. Afinal, tudo se ajeitou. Isso me fez crescer. Além de meus pais, muitas pessoas me ajudaram. Quando meus pais não estavam disponíveis, de repente havia um professor ou uma tia em seu lugar. Ou então alguém na rua me perguntou: “O que h| com você, criança?” Essa pessoa cuidou de mim, levou-me talvez de volta para casa. Eu tomo todas essas pessoas, junto com meus pais, em meu coração e em minha alma. De repente, sinto em mim uma grande plenitude. Quando tomo tudo isso com amor, sinto-me inteiro e em harmonia. Esse amor está em mim e se desenvolve em mim.

 

O segundo círculo do amor: Infância e puberdade

O segundo círculo do amor é a infância. Tudo que os pais me deram, os cuidados que tiveram por mim, dia e noite, perguntando-se: “De que a criança está precisando?”, tudo isso eu recebo deles com amor. Pois é incrível quanto de bom os pais dão a seus filhos. Os pais sabem o que isso lhes custou e o que significa para eles. Eu reconheço isso. Tudo o que aconteceu em minha infância eu aceito agora - inclusive que meus pais não tenham visto alguma coisa, que tenham cometido erros ou que algo de insano tenha acontecido. Tudo isso faz parte. Na medida em que me defronto com esse monte de desafios e também com o sofrimento, a dor e a necessidade de me afirmar, na medida em que aceito e assumo isso, eu cresço.

A criança procura evitar, às vezes, tomar e agradecer, tornando-se ela própria uma doadora. Porém, muitas vezes, ela dá algo errado ou dá em excesso: por exemplo, quando pretende assumir por seus pais algo que não lhe compete como criança.  A criança tem, às vezes, dificuldade em receber, porque o que vem dos pais é tão grande que a criança não pode retribuir na mesma medida. Então ela prefere tomar menos, para que não tenha de retribuir tanto.

Observei isso em centenas de constelações, em muitas variações. Os filhos não podem suportar o desnível que sentem em relação aos seus pais, principalmente quando não sabem que a verdadeira compensação do que receberam dos pais consiste em transmitir isso a outros - especialmente, mais tarde, aos próprios filhos. A sensação de não poderem retribuir é um dos motivos que impelem os filhos a deixar a casa de seus pais.

Muitas vezes, os adolescentes recorrem a recriminações para adquirirem o direito de separar-se dos pais. Porém, quando os filhos percebem que é possível compensar, transmitindo a outros o que receberam e que é imperiosa a necessidade de compensar dessa maneira, eles conseguem separar-se dos pais sem necessidade de críticas. Aprendem como lidar com o que receberam e aprendem o que podem fazer com isso. A vantagem dessa atitude é que não precisam negar nada do que receberam dos pais. Podem tomar tudo, porque sabem que o repassarão.

Tomando pouco, fazendo recriminações, rejeitando o amor dos pais, viabilizo a separação, mas ela acontece de uma forma que empobrece a todos. É tomando que cresço como filho.

Quando eu tomo muito, isso me custa muito, porque não posso conservá-lo. Então, também sinto a necessidade de passar adiante, e isso é “caro”, porque custa mais. Aí também existe mais.  Eles se separam, os pais e os filhos. Muitos não sabem que existe uma forma de compensar que atravessa gerações. Quando alguém percebe que não precisa retribuir tanto aos pais, mas pode mais tarde repassar isso a outros, fica aliviado em sua alma. Então os filhos podem dizer aos pais: “Vocês podem me dar, eu tomo tudo”.

Somente quando percorri totalmente esse segundo círculo do amor é que estou pronto para uma relação conjugal confiável. Dificuldades e problemas nos relacionamentos ulteriores resultam, em sua maioria, de não terem sido completados os dois primeiros círculos do amor. Então precisamos retomar e resgatar o que faltou.

 

Meditação sobre o segundo círculo do amor

Fecho os olhos e me recolho. Passo a passo, como se desce os degraus de uma escada, retorno à minha infância. Passo a passo. Talvez eu encontre situações onde sinto uma dor ou fico intranquilo. Espero nesse ponto, até que surja uma imagem do que aconteceu nessa época. Muitos traumas da primeira infância estão associados a situações em que fomos deixados sós ou não conseguimos chegar aonde queríamos ou precisávamos.

Agora imagino essa criança, que sou eu mesmo, e olho para minha mãe. Sinto meu amor por ela e o impulso de aproximar-me dela. Olho em seus olhos e lhe digo simplesmente: “Eu lhe peço!”. Algo se movimenta na fantasia interior, tanto na mãe quanto em mim mesmo. Talvez ela dê um passo em minha direção, e eu ouse dar um passo para perto dela. Entro nessa vivência, até que interiormente chego a meu objetivo e relaxo nos braços de minha mãe. Então olho para ela e digo: “Agradeço!”

Isto é um processo interno, porém não se deve fazer muito de uma só vez. Já na primeira vez algo se solta na alma. No dia seguinte posso repetir o processo. De novo desço as escadas, de volta à infância, e chego talvez a uma situação ainda mais antiga. Experimento, talvez, de novo o movimento em direção à minha mãe.

Depois de alguns dias, repito o processo - até que, por assim dizer, esteja totalmente com minha mãe.

Tudo aquilo que deploro eu excluo. Tudo aquilo que recrimino eu excluo. Toda pessoa de quem tenho raiva eu excluo. Toda situação em que me sinto culpado eu excluo. Assim vou me tornando cada vez mais pobre.

O caminho oposto seria o seguinte:

Tudo aquilo que lamento, eu encaro e digo: sim, assim foi, e coloco isso dentro de mim, com todo o desafio que me faz. Eu lhe digo: “Agora vou fazer algo com você. Vou tomar você como meu amigo ou como minha amiga” - seja o que for.

Tudo aquilo que me levou a acusar alguém, eu encaro e digo: “Sim. Olho-me para ver como posso receber de outra forma o que ficou perdido para mim. Vejo que força eu tenho para fazer isso sozinho, sem pedir ajuda a outro. Então tomo essa situação para dentro de mim, e ela se torna uma força. O mesmo vale para culpas pessoais, que são aquilo que mais queremos excluir e rejeitar. Olho para elas e digo: “Sim.” A culpa tem consequências. Eu as aceito e faço algo com elas. Assim, a culpa se torna uma força, e eu também cresço.

Quando tomo para mim o que rejeitei, o que me causou dor, fez-me sentir culpado ou injustiçado, seja o que for, nem tudo entra em mim. Algo permanece fora. Eu digo sim a tudo, mas o que entra em mim é somente a força. O resto fica simplesmente fora, não me infecciona: pelo contrário, desinfeta-me e purifica.

Assim posso imaginar que meus pais dizem sim ao que lhes pesa. Isso pertence a eles, inclusive seus enredamentos, que encaro de uma certa distância, de uma posição inferior - como uma criança. Deixo que meus pais permaneçam completamente como meus pais. Não preciso assumir por eles nada que lhes pertença exclusivamente. Tudo isso permanece fora de mim, porque pode ficar com eles.

 

Terceiro círculo: Dar e tomar

O adulto consegue igualmente dar e tomar.

Tomar o amor, como uma pessoa entre outras, tem grandeza. Quando posso tomar dessa forma, também posso dar. O dar começa com o correto tomar.

Nas relações adultas é importante que cada pessoa possa, de algum modo, tomar da outra. Essa é a compensação mais importante. Não é preciso que ambas deem na mesma medida, mas que tomem para si na mesma medida. O ato de tomar reciprocamente é o mais difícil. Ele une mais profundamente, pois ambos estão na posição de quem necessita. Isso une.

A maioria das pessoas dão na expectativa de receber e, sobretudo, eles tem pouco respeito pelas outras pessoas, pois se consideram melhores e permanecem numa posição de superioridade.

Trata-se de tomar, valorizando o que se toma. Essa é a arte.

Quando alguém me dá alguma coisa, ele me deseja algo de bom. Eu o tomo assim, porque me é dado por ele. Nesse momento tudo o que ele dá se toma valioso. Aquilo se transforma e, de repente, eu percebo: “Ah, isso também tem para mim algo de belo”. É nisso que consiste o tomar.

Como pessoas adultas, devemos dar sem esperar receber do outro algo que ele não pode dar-nos. Essa atitude nos dá força para nos tornarmos pais ou mães. Nela, o tomar se completa e começa a transmissão, o intercâmbio entre as gerações. Este é o terceiro círculo.

Quando ambos, o homem e a mulher, tomaram totalmente seus pais e se tornaram um casal, eles deixam fluir aquilo que veio de seus pais. Então se dão reciprocamente, a partir dessa plenitude, mas a experiência mostra que isso nem sempre se consegue.

 

Meditação sobre o terceiro círculo do amor

Coloco-me diante de meu parceiro e olho primeiro para a direita, para os meus pais. Vivencio, mais uma vez, o processo de tomar o amor de meus pais. Meu parceiro está diante de mim. Por sua vez, ele também olha primeiro para a direita, para seus pais, c vivência de novo o processo de tomar o amor de seus pais. Depois de olhar para meus pais e também para meus ancestrais, olho para os pais do parceiro e para os seus ancestrais. Vejo tudo o que eles lhe deram, e como ele se enriqueceu com isso. De repente, algo muda em nossa relação, pois meu parceiro me aparece de uma outra maneira, e o amor de seus pais também se manifesta nele.

Ao mesmo tempo, vejo também o lado difícil que lhe pesou, o que lhe aconteceu. Vejo isso como algo que ele toma para si, como uma força, e o que parecia tão pesado permanece fora. O mesmo faço com o que é pesado para mim. Então nos olhamos de novo nos olhos. Eu lhe digo: sim. E ele me diz: sim. Ambos nos dizemos mutuamente que agora estamos prontos um para o outro.

 

Segunda meditação sobre o terceiro círculo do amor

Mais tarde o casal recebe uma criança. A mulher recebe a criança do marido, e o marido recebe a criança da mulher. Ambos dizem: “Nossa criança”. Eles se veem nela como partes de um todo maior. Eles são sempre apenas uma parte da criança e se exercitam para ver em tudo também o parceiro, e para aceitá-lo em tudo.

Olho para essa criança, a nossa criança. Atrás dela vejo meu parceiro e tudo o que há de especial na família dele. Vejo tudo o que nela é diferente de minha família e o tomo, como igualmente válido, em meu coração. Nesse momento a criança tem o mesmo valor para ambos e pode unir-se da mesma forma a ambos os pais. Cada parceiro diz ao outro: “Esta é a nossa criança: tem a sua parte, como pai (mãe), e a minha parte como mãe (pai). Assim se enriquece a criança e a relação.

Separações acontecem, via de regra, quando um parceiro se retira para sua família de origem. Ele retoma por não ter tomado alguma coisa ou, talvez, por ter-se intrometido, não deixando com os seus pais o destino que lhes toca.

Muitas separações advêm porque um dos parceiros se decepciona. As expectativas que tenho em relação ao meu parceiro são frequentemente as mesmas que, em criança, eu tinha em relação aos meus pais. Agora espero que o meu parceiro as satisfaça, mas ele não as satisfaz e também não pode satisfazê-las. Então me decepciono com ele e separo-me, por causa disso. Esse é um dos padrões de separação. Nesse particular é útil exercitar-me primeiro em realmente tomar os meus pais. Então, já não preciso esperar isso do meu parceiro. Nossa relação fica mais sóbria.

Há, contudo, mais alguma coisa que pode levar a separações. Existe um crescimento pessoal, um destino pessoal.

Talvez um dos parceiros esteja vivendo uma evolução importante para ele, e o outro parceiro sinta que o seu próprio caminho não é o mesmo. Então cada um concorda com o caminho do parceiro e com o seu próprio caminho e ambos se permitem segui- lo. Algumas vezes isso também pode ser um motivo de separação, mas essa é uma separação com amor. Os parceiros podem se dizer reciprocamente: “Eu amo você e amo o que me conduz e o que conduz você”. Esta é uma frase profunda. A separação, quando ocorre, é mais fácil para ambos. Muitas vezes, porém, somente um dos parceiros a diz, e o outro se opõe. Então um diz ao outro: “Meu crescimento pede isso de você”.

Dos filhos, não. Aos filhos a gente diz: “Ficarei sempre com vocês.” Um crescimento separado dos filhos não pode ser um verdadeiro crescimento. Isso só ocorre em casos muito excepcionais. A gente pode dizer a eles: “Peço que aceitem minha separação de sua mãe - ou de seu pai -, mas ambos estaremos sempre presentes para vocês”. Isso é difícil para os filhos, mas é uma possibilidade de crescimento para todos, se é feito dessa maneira. E todos permanecem unidos.

 

Quarto e quinto círculos do amor:

Concordar com todos os seres humanos e com o mundo

 

O quarto círculo ultrapassa os limites da consciência. Nele eu concordo com todas as pessoas de minha família como elas são, inclusive os excluídos e os difamados. Aqui se trata da plenitude interna, isto é, todos os que pertencem à minha família ganham um lugar em minha alma, inclusive os que foram rejeitados, desprezados e esquecidos. Sem eles eu me sentia incompleto, no corpo e na alma. Somente quando os incluo em minha alma e em meu amor é que me sinto pleno e inteiro.

 

O mesmo movimento em que incluo em meu amor o que até agora foi excluído ou temido, eu estendo, em seguida, a todos os outros seres humanos. Este é o quinto círculo do amor.

O quinto círculo do amor se dirige à humanidade, ao mundo, enquanto tal. Aqui se trata de concordar com o mundo como ele é. Isso diz respeito à capacidade de reconciliação entre os povos, por exemplo. Este é o amor universal, que sabe que somos movidos por poderes superiores.

 

Para mim, todos os seres humanos são bons. Cada um é apenas da maneira como pode ser. Ninguém pode ser diferente do que é, em sua situação. Por isso, trato a todos com o mesmo respeito. Essa atitude, esse modo de proceder é uma realização da própria alma. Ninguém pode dispensar o outro dessa realização. Muitos que buscam ajuda querem tê-la sem realização pessoal, mas quando sentem quanta alegria essa realização lhes proporciona, essa compreensão lhes abre novas possibilidades de se moverem na vida. Isso sempre passa por uma compreensão. A emoção do amor tem pouca compreensão. Quando fico estacionado nessa emoção, pouca coisa acontece, fico amarrado. No quarto e no quinto círculos do amor ultrapasso essa estreiteza e atinjo um nível espiritual.

 

Trecho extraído do livro Um Lugar para os Excluídos de Bert Hellinger 

O QUE FAZ O AMOR DAR CERTO (RELACIONAMENTO DE CASAL)

 

                “O relacionamento de casal é o que existe de mais importante. Todos nós viemos de uma relação de casal. Através dela a vida é passada adiante. Por isso, num relacionamento estamos conectados com aquilo que leva o mundo adiante e o dirige”. Bert Hellinger

 

 “Eu amo você e aquilo que nos guia”.  Bert Hellinger

 

EMARANHADOS SISTÊMICOS

               

                No seio da família existe uma profunda necessidade de justiça e compensação. A família e o grupo familiar se comportam como se tivessem uma alma comum. Essa alma vela para que exista na família um equilíbrio entre a perda e o ganho, equilíbrio este que abarca várias gerações. Por exemplo, se um homem se separou levianamente de sua primeira mulher, ferindo-a, e essa mulher tem raiva dele, ele talvez passe pela experiência de que a filha do seu segundo matrimônio fique com raiva e que tenha em relação a ele os mesmos sentimentos da mulher. A solução neste caso seria esse homem dizer à sua primeira mulher: “Fui injusto com você. Sinto muito. Reconheço tudo o que você me deu. Seu amor foi grande e o meu também e ele pode perdurar.” É importante dissolver o primeiro vínculo de modo positivo.

 

                Talvez as piores consequências para uma relação de casal resultem dos emaranhados de cada parceiro com seu grupo familiar. Isso acontece, sobretudo, quando um dos parceiros ou ambos, sem que o percebam, são tomados a serviço, como substitutos, para a solução de antigos conflitos dos respectivos grupos familiares. Por exemplo: Embora um homem e uma mulher se sentissem muito ligados, surgiam entre eles conflitos inexplicáveis. Certo dia, quando a mulher se postava furiosa diante do marido, um terapeuta observou que seu rosto mudava até assumir o aspecto de uma velha. E ela censurava o marido por coisas que nada tinham a ver com ele. O terapeuta perguntou: “Quem é essa velha?” Aí ela lembrou de que sua avó, que tinha um restaurante, fora muitas vezes arrastada pelos cabelos pelo avô no meio do salão, à vista de todos os fregueses. Então ficou claro que a raiva que ela sentia contra seu marido era a raiva reprimida que a avó sentira contra o avô.

 

          Muitas crises inexplicáveis do casamento nascem de uma transferência como essa. Tal processo, que é inconsciente, nos assusta, porque ficamos entregues a ele e não sabemos sua causa. Depois de saber de tais emaranhamentos tomamos mais cuidado quando nos sentimos tentados a ofender pessoas que não nos tenham dado motivo para isso.

 

             "Muito do que ocorre no relacionamento do casal e de seus filhos vem à luz nas constelações familiares. Nelas o homem ou a mulher escolhe, a partir de um grupo de participantes, representantes para membros de sua família e os coloca uns em relação aos outros dentro de um espaço. Os representantes, a partir do momento em que ocupam o seu lugar, sentem da mesma forma que as pessoas que estão representando. Isso ocorre sem que os representantes saibam algo sobre elas. Deste modo vem à luz uma relação, até então oculta, com um outro membro da família. Revela-se assim, que nas constelações familiares os representantes mergulham em algo que os conecta com as pessoas ausentes e não apenas na superfície, de forma externa, e sim dentro de um âmbito onde uma força que guia todos conjuntamente é experimentada. Eu chamo esta força de grande alma.” Bert Hellinger

 

 

               Quando a pessoa posiciona a família de uma forma centrada, ela o faz em conexão com essa grande alma. As constelações não apenas trazem à luz algo até então oculto, mas também indicam caminhos para a solução. O ponto decisivo das constelações é mostrar o caminho para a solução de um emaranhado e conduzir os atingidos a esse caminho. Porém a solução do emaranhado ocorre somente quando os atingidos se conectam com algo maior, isto é, quando abandonam conscientemente algo anterior e se abrem para algo novo, mesmo que isso a princípio cause medo. O conhecimento e a compreensão por si só não bastam. Necessita-se também uma força especial. A fonte desta força é, por um lado, a ligação com os pais e os ancestrais e, por outro, o ato de se inserir em algo maior. Portanto uma boa frase de solução, no caso dos casais é: “eu amo você com tudo aquilo que nos conduz."

 

DAR E TOMAR NA RELAÇÃO DE CASAL – UMA LEI SISTÊMICA

 

                O adulto saudável consegue igualmente dar e tomar. Nas relações adultas é importante que cada pessoa possa, de algum modo, tomar da outra. Essa é a compensação mais importante. Não é preciso que ambas deem na mesma medida e sim que tomem na mesma medida. O ato de tomar reciprocamente é o mais difícil. Ele une mais profundamente, pois ambos estão na posição que necessitam.

 

               A maioria das pessoas dá na expectativa de receber. Como adultas, devemos dar sem esperar receber do outro algo que ele não pode nos dar. Em uma relação de casal cada um pode dar apenas o que o outro é capaz de receber e devolver. Se um der mais que o outro, a relação está arruinada. Essa atitude nos dá força para nos tornarmos pais ou mães. Nela o tomar se completa e começa a transmissão, o intercâmbio entre as gerações.

 

               O Equilíbrio: Logo que um recebe ou toma algo do outro, sente-se em dívida e então também dá algo, mas não apenas a mesma coisa ou na mesma medida. Por amar o outro ele dará um pouco mais. É o que acontece na relação de casal. Quando se ama dá-se um pouco mais, porém apenas um pouco, senão a coisa se torna novamente perigosa. O outro toma o que é dado e também se sente em dívida e, assim devolve algo ao outro. E novamente um pouco mais. Esses muitos “poucos” conduzem a plenitude na relação. A desvantagem é que quanto mais ambos se dão, mais difícil será a separação, pois esta troca entre o dar e tomar une. Por isso quem almeja certa independência, quem pensa que aquele parceiro talvez não seja a pessoa certa e que talvez exista algo diferente, ou melhor, deve apenas dar e tomar pouco. Assim mantém certa liberdade, uma liberdade de trocar de parceiro.

 

O QUE FAZ O AMOR DAR CERTO?

 

- A Grandeza da Sexualidade: Através da consumação do amor cria-se um vinculo profundo. Alguns pensam que a sexualidade é algo mau. Porém a sexualidade leva a vida adiante contra todos os obstáculos. Nesse sentido, a sexualidade é maior que o amor. Naturalmente, tem uma grandeza especial quando consumada com amor. Quando os parceiros se olham nos olhos ao se amar, isto é a realização de seu amor recíproco. O reconhecimento da grandeza do ato sexual é a principal condição para que o amor dê certo.

 

- Tomar o cônjuge e sua família: Assim como na dinâmica de tomar tudo que vem dos pais, também na relação de casal tomamos tudo o que vem do cônjuge. Este tomar principia com a sua família de origem, com sua leveza e seu pesar. Depois, o tomar se estende aos parceiros e filhos anteriores (no caso de ter filhos) do cônjuge. Muitas vezes ao iniciar um relacionamento com alguém que já tem filhos, ou já teve um casamento (uma família), algumas pessoas evitam tomar esta parte da história do cônjuge.

 

- Vínculo aos parceiros anteriores: Pertencem ao sistema familiar, todos os parceiros anteriores do cônjuge e também os seus parceiros anteriores. O novo cônjuge percebe, inconscientemente, o vínculo de seu cônjuge com seu/sua parceiro/a anterior e muitas vezes não ousa toma-lo completamente. Portanto, uma segunda relação só tem sucesso quando o vínculo aos parceiros anteriores é reconhecido e honrado tendo como precedência sobre o novo vínculo e quando os novos parceiros reconhecem e têm uma dívida com os parceiros anteriores. Portanto o vínculo da primeira relação é maior do que da segunda e assim por diante.

 

- Hierarquia X Dar e Tomar: Em um relacionamento de casal, ambos devem reconhecer-se como iguais! Qualquer tentativa de colocar-se diante do cônjuge numa atitude de superioridade, própria dos pais ou de dependência, característica da criança, restringe o fluxo de amor entre casal e coloca a relação em perigo.

 

- Renúncia da Família de Origem: As ordens de amor entre casal envolvem também uma renúncia que começa na infância. Pois o filho precisa renunciar a primeira mulher de sua vida: sua mãe; assim como a mulher precisa renunciar o seu pai. Por esta razão, o filho precisa passar cedo da esfera da mãe para a o pai. E a filha precisa retornar cedo da esfera do pai para a da mãe.

 

Exercício meditativo para Relacionamento de Casal, por Bert Hellinger

 

“Coloco-me diante de meu parceiro e olho primeiro para a direita, para os meus pais. Vivencio, mais uma vez, o processo de tomar o amor de meus pais. Meu parceiro está diante de mim. Por sua vez, ele também olha primeiro para a direita, para seus pais, c vivência de novo o processo de tomar o amor de seus pais. Depois de olhar para meus pais e também para meus ancestrais, olho para os pais do parceiro e para os seus ancestrais. Vejo tudo o que eles lhe deram, e como ele se enriqueceu com isso. De repente, algo muda em nossa relação, pois meu parceiro me aparece de uma outra maneira, e o amor de seus pais também se manifesta nele.

Ao mesmo tempo, vejo também o lado difícil que lhe pesou, o que lhe aconteceu. Vejo isso como algo que ele toma para si, como uma força, e o que parecia tão pesado permanece fora. O mesmo faço com o que é pesado para mim. Então nos olhamos de novo nos olhos. Eu lhe digo: sim. E ele me diz: sim. Ambos nos dizemos mutuamente que agora estamos prontos um para o outro.”

“Amar significa dizer a alguém: Sim eu amo você tal como você é. Mesmo que não corresponda aos meus sonhos e esperanças, o fato de você existir faz-me mais feliz do que meus sonhos.” Bert Hellinger

 

 

                      REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS E SUGESTÕES DE LEITURA

 

HELLINGER, Bert. Amor à Segunda Vista. Goiânia: Atman, 2009

HELLINGER, Bert. A Simetria Oculta do Amor. São Paulo: Cultrix, 2006

HELLINGER, Bert. Felicidad que Permanece. Barcelona: rigden Institut Gestalt, 2007

HELLINGER, Bert. O Amor do Espírito. Goiânia: Atman, 2009

HELLINGER, Bert. Para que o Amor dê Certo. São Paulo: Cultrix, 2001

RUPERT, Franz. Simbiose e Autonomia nos Relacionamentos. São Paulo: Cultrix, 2010

O que significa Emaranhamento Sistêmico?

         Emaranhamento Sistêmico significa que alguém na família retoma e revive inconscientemente o destino de uma familiar que viveu antes dele.
       Se, por exemplo, numa família, uma criança foi entregue para adoção, mesmo numa geração anterior, então um membro posterior desta família se comporta como se ele mesmo tivesse sido entregue. Sem conhecer este emaranhamento ele não pode se livrar dele. A solução segue o caminho contrário: a pessoa que foi entregue para adoção entra novamente em jogo. É colocada, por exemplo, na Constelação Familiar. Quando essa pessoa volta a fazer parte do sistema familiar e é honrada, ela olha com afeto para os descentes e estes estão liberados do emaranhamento.

        Existe uma consciência de grupo que influencia todos os membros do sistema familiar. A estes pertencem os filhos, os pais, os avós, os irmãos dos pais e aqueles que foram substituídos por outras pessoas que se tornaram membros da família, por exemplo, parceiros anteriores (maridos/mulheres) ou noivos (as) dos pais. Se qualquer um destes membros do grupo foi tratado injustamente, existirá neste grupo uma necessidade irresistível de compensação. 

      Isso significa que a injustiça cometida em gerações anteriores será representada e sofrida posteriormente por alguém da família para que a ordem seja restaurada no grupo. A consciência do grupo atende à lei de que quem pertenceu uma vez ao Sistema tem o mesmo direito de pertencimento dos outros. Essa injustiça é expiada  através do Emaranhamento sem que as pessoas afetadas saibam disto.

 

Bert Hellinger - Criador das Constelações Familiares em seu livro: Constelações Familiares: o reconhecimento das ordens do amor.

OS LIMITES DA CONSCIÊNCIA DENTRO DAS CONSTELAÇÕES: PESSOAL, FAMILIAR E ESPIRITUAL

 

                

                Rupert Sheldrake, biólogo renomado, fez uma observação sobre os campos espirituais. Cada um de nós se movimenta dentro de um determinado campo. O primeiro campo é o da nossa família. A consciência nos diz o que temos que fazer para pertencer a este campo, se fizermos isso, temos consciência boa, tranquila, ou seja, teremos certeza que faremos parte. Porém, se me comporto de uma forma que pode colocar em risco este pertencer, sinto a consciência pesada e essa consciência nos força a mudar nosso comportamento de forma que possamos pertencer ao campo novamente.

 

                A natureza do nosso campo familiar é determinada pela história da nossa família: sua religião, suas crenças, país de origem, etc. Essa natureza é moldada por acontecimentos marcantes, como a história dos relacionamentos dos pais e dos avós, morte de uma criança muito nova, aborto, parto prematuro, adoção, suicídio, guerra, exílio forçado, troca de religião, incesto, antepassado agressor ou vítima, traição, ou mesmo a confiança. As ações generosas e altruístas de nossos pais e de nossos antepassados são saudáveis para nós, enquanto suas más ações modificam o campo familiar, obrigando as gerações posteriores a uma compensação.

 

                Para Hellinger, a consciência é o órgão de equilíbrio sistêmico que nos avisa sobre se o “movimento” (conduta, atitude, opinião) que estamos fazendo nos afasta ou não de nosso sistema, neste caso familiar. É como um sensor que nos sinaliza quando o direito de pertencer a um grupo corre perigo. Portanto, nesse contexto, a boa consciência significa apenas: “Posso estar seguro de que ainda pertenço ao meu grupo.” E a má consciência significa: “Receio não fazer mais parte do grupo. Assim, a consciência pouco tem a ver com leis e verdades universais, mas é relativa e varia de um grupo para outro”.

 

                Bert Hellinger aponta três campos espirituais de consciência: Consciência Pessoal, Consciência Coletiva e Consciência Espiritual. Cada qual com seu alcance, funcionamento e ordens.

 

                A Consciência Pessoal é regida pela dinâmica “culpa e inocência” permeando conceitos de moralidade, baseado no “certo e errado”, a qual está diretamente ligada a valores familiares e à educação recebida.  É estreita e tem seu alcance limitado. Pois, através de sua diferenciação entre bom e mau, só reconhece para alguns o direito de pertencer, excluindo os demais. Experimentamos a consciência pessoal como boa e má consciência. Sentimo-nos bem quando temos boa consciência e mal quando temos má consciência. Isso significa que ela cuida para que fiquemos conectados com essas pessoas e grupos. Ela assegura nossa sobrevivência.    

 

                Na Consciência Coletiva, a consciência deixa de ser pessoal e passa a estar ligada ao grupo. Aqui se faz presente um poder de atuação inconsciente, o poder da alma do grupo e apenas sentimos seus efeitos. Este poder cobra qualquer desrespeito para com o grupo, em relação às forças de vínculo, hierarquia e compensação (Ordens do Amor). É mais ampla, defendendo também os interesses daqueles que foram excluídos pela consciência pessoal.

 

                Contudo, a consciência coletiva também tem um limite porque abrange somente os membros dos grupos que são governados por ela. É uma consciência poderosa e seus efeitos são mais fortes do que os da consciência pessoal. Está a serviço da sobrevivência do grupo inteiro, mesmo que para isso alguns precisem ser sacrificados.  Nesta Consciência, o princípio da ordem é determinante e os membros que chegam por último aos sistemas são escolhidos pelos emaranhados sistêmicos. Assim, o membro familiar posterior que vive agora responde pelos membros anteriores, que já morreram. Na justiça da Consciência Coletiva, quem veio depois, está a serviço das forças do vínculo e pertencimento, independente da vontade e compreensão.

 

                Assim, “culpa e inocência” são dois lados da mesma moeda que se encontram a serviço das Ordens do Amor, em suas diferentes instâncias de consciências: pessoal, coletiva e espiritual. No vínculo, a culpa é experimentada como exclusão e distância, e a inocência como conforto e proximidade. Na ordem, a culpa é vivida como transgressão e medo de punição e a inocência como retidão e lealdade. No equilíbrio entre o dar e tomar das relações, a culpa é sentida como obrigação e a inocência como liberdade ou reivindicação.

 

                A Consciência Espiritual nos conduz para além dos limites. Supera as limitações das outras duas consciências, limitações estas que surgem através da diferenciação entre bom e mau e da diferenciação entre pertencimento e exclusão. Ela também estrutura a filosofia de Bert sobre a aceitação incondicional do outro e das coisas tal como são, se baseando no amor que tudo une, sem preconceitos, julgamentos ou controle.

 

                Aqui, reside o amor do espírito e o movimento do espírito, do qual Bert se refere. Para o amor do espírito não existe mais ou menos pertencimento, nenhum direito maior ou menor de pertencer, para ele, nada vai mais além do existir presente. O amor do espírito se mantém em movimento criador, presente em tudo. Percebemos nossa sintonia com este amor quando entramos em contato com o assentir à vida como é e a todos como são.

 

                O movimento do espírito é diferente do movimento da Consciência Pessoal, na qual culpa e inocência se encontram presentes. Nossa sintonia com a Consciência Espiritual é reconhecida quando nos encontramos na calma, centrados; e sentida quando estamos em paz. Ela gera leveza. Seguir esta consciência exige grande esforço espiritual, pois ela nos afasta da obediência aos ditames da nossa família, religião, cultura e identidade pessoal.

 

*Adpatado de textos de Bert Hellinger, Brigitte C. Ribes e Jacob Schneider

Literatura sobre Constelações Sistêmicas


BERT HELLINGER
- A Cura
- A Fonte Não Precisa Perguntar Pelo Caminho
- Amor à Segunda Vista
- A Paz Começa na Alma
- As Igrejas e seu Deus
- A Simetria Oculta do Amor
- Conflito e Paz, uma resposta
- Constelações Familiares
- Desatando os Laços do Destino
- Êxito na Vida, Êxito na Profissão
- Felicidad que Permanece (espanhol)
- Histórias de Amor
- Histórias de Sucesso na Empresa e no Trabalho
- Liberados Somos Concluídos
- Lugar para os Excluídos
- Mística Cotidiana
- No Centro Sentimos Leveza
- O Amor do Espírito
- O Essencial é Simples
- O Outro Jeito de Falar
- Ordens de Ajuda
- Ordens do Amor
- Para que o Amor dê Certo
- Pensamentos a Caminho
- Pensamentos sobre Deus
- Religião, Psicoterapia e Aconselhamento Espiritual
- Simetria Oculta do Amor
- Um Lugar para os Excluídos
- Viagens Interiores (audiobook)

FRANZ RUPPERT
- Simbiose e Autonomia nos Relacionamentos

JAN JACOB STAM
- A Alma do Negócio

JAKOB SCHNEIDER
- Ah! Que Bom que Eu Sei
- A Prática das Constelações Familiares

JOAN GARRIGA BACARDI
- O Amor que nos faz bem
- Onde Estão as Moedas

KLAUS GROCHOWIAK
- Constelações Organizacionais

MARIANNE FRANKE
- Você é Um de Nós

RUPERT SHELDRAKE
- A Presença do Passado
- A Sensação de Estar Sendo Observado
- Ciência sem Dogmas
- O Renascimento da Natureza
- Sete Experimentos que Podem Mudar o Mundo
- Uma Nova Ciência da Vida

STEPHAN HAUSNER
- Constelações Familiares e o Caminho de Cura

URSULA FRANKE
- O Rio Nunca Olha para Trás
- Quando Fecho os Olhos Vejo Você
- Trauma, Transe e Transformação

MARUSA HELENA DA GRAÇA GONÇALVES
- Constelações Familiares com Bonecos

MARIA COLODRÓN
- Muñecos, Metáforas y Soluciones (espanhol)

 

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